BAURU e região: UPAs devem ficar sem médicos de novo

Embora avaliada como positiva pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e pelo secretário Fernando Monti, a reunião de ontem com os médicos da rede municipal terminou sem acordo e, no próximo fim de semana, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) correm risco de funcionar sem os profissionais da categoria, o que inviabiliza a prestação da maioria dos serviços à população.

Reunião termina sem acordo e UPAs devem ficar sem médico de novo

Ao final das quase três horas de discussão, Agostinho afirmou que conta com a “boa vontade” dos médicos para que, no próximo sábado e domingo, funcionem plenamente as unidades de urgência e emergência, o que não vem ocorrendo ao longo das últimas quatro semanas. “A inexistência de um acordo foi a parte frustrante desse encontro”, frisou Monti.

Estiveram, no anfiteatro da Prefeitura de Bauru, cerca de 30 médicos, que expuseram as deficiências estruturais do sistema de saúde municipal, enfatizando, principalmente, a sobrecarga de trabalho provocada pelo déficit na quantidade de profissionais.

Hoje, a rede de urgência e emergência é formada por 107 médicos, mas precisava de, pelo menos, mais 69 para completar as escalas do Pronto-Socorro Central (PSC), quatro UPAs, Pronto Atendimento Infantil (PAI) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Diante desse cenário, para garantir o funcionamento ininterrupto desses serviços (24 horas), a Secretaria Municipal de Saúde depende de que os médicos se disponham a cumprir plantões extras, remunerados em R$ 1.450,00, por 12 horas de trabalho.

Apesar de o valor oferecido ser compatível com o padrão praticado pelo mercado, os profissionais, alegando cansaço, têm demonstrado resistência para assumir esses plantões aos domingos e feriados; situação que instaurou a crise na rede de urgência e emergência, conforme o JC vem noticiando.

Aumento Real
Para estimular os médicos a cumprirem esses plantões, a prefeitura apresentou a proposta de redução da carga horária dos profissionais da rede básica de Saúde, de 20 para 15 horas semanais.

A medida valorizaria em 33% a hora trabalhada na rede de urgência, cuja jornada mínima é de 24 horas por semana, o que significa aumento real na remuneração da categoria. O salário de um profissional em início de carreira, por exemplo, saltaria de R$ 4,8 mil para R$ 6,4 mil.

Pesquisa
Segundo Rodrigo Agostinho, a ideia foi bem aceita pelos médicos presentes, mas ficou decidido que os demais servidores da categoria também serão ouvidos sobre a proposta. “Da nossa parte, queremos enviar projeto de lei para a Câmara Municipal o quanto antes para concretizar a mudança. Também queremos criar e manter um canal de diálogo com esses servidores”.

Fernando Monti diz que a consulta aos 208 profissionais da rede será feita “no corpo a corpo” por uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com ele, esse trabalho terá início ainda hoje com a expectativa de que seja concluído até a próxima semana.

“A gente sentiu que a nossa proposta foi recebida como positiva, mas insatisfatória. Só que o ideal, realmente, é utópico. O que dificultou o acordo é a inexistência de um grupo organizado que represente e responda pela categoria”, observou o secretário.

Compromisso
Apesar da ausência de lideranças ou de entidade formal que represente os médicos da rede municipal, Monti afirma que, caso haja o aceite da proposta da prefeitura pela categoria, a administração municipal exigirá a formalização de acordo por parte dos profissionais, firmando compromisso.

“Não sei exatamente qual será o modelo disso, mas vamos querer algo por escrito. Cogitou-se um termo de compromisso. Não tem sentido a prefeitura fazer esse grande esforço financeiro e não alcançar o objetivo de garantir regularidade aos atendimentos na rede”, pontuou, referindo-se ao impacto anual de R$ 2,4 milhões que será gerado caso vingue a proposta do município.
Outros funcionários
A reunião de ontem contou também com a participação de alguns profissionais de enfermagem e membros de Conselhos Gestores de Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Esse grupo expôs que os demais funcionários que atuam na rede de urgência e emergência também sofrem com a sobrecarga de trabalho, já que há déficit de profissionais e grande necessidade de horas extras.

Ao Jornal da Cidade, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou que, apesar das dificuldades orçamentárias e fiscais enfrentadas pela administração, as equipes de Saúde, Finanças e Administração estudarão propostas para majorar os valores pagos a esses funcionários – de limpeza, do administrativo e de enfermagem, por exemplo – aos finais de semana e feriados.

Socorrista

Em médio prazo, outra alternativa apresentada é a criação da carreira de médico socorrista pela Fundação Regional de Saúde.

A entidade foi registrada em cartório ontem e deve começar a funcionar daqui a 40 ou 50 dias (Mais informações leia aqui).
Atrativo

A redução da jornada para a rede básica e a valorização da remuneração da hora trabalhada também são apostas do prefeito Rodrigo Agostinho para tornar a carreira médica da Prefeitura de Bauru mais atrativa.

A assessoria de imprensa do município informou que, desde 2009, a administração abriu cerca de 50 concursos públicos para contratar esses profissionais, mas poucos inscritos aprovados quiseram ser admitidos. No último deles, dos 24 médicos aptos, apenas um assumiu o cargo.

Fernando Monti ressalta que a Prefeitura de Bauru é a única da região que gerencia diretamente sua rede de urgência e emergência. “Em outros municípios, são hospitais escolas ou Santas Casas. Nesses modelos de gestão, são possíveis flexibilidades. Em função disso, muitos médicos que davam plantão para a gente estão indo para outras cidades, mesmo ganhando menos”.

 

Fonte: JCNET

 

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