Corte de verbas para as Santas Casas amplia a crise no sistema de saúde

 Corte de verbas para as Santas Casas amplia a crise no sistema de saúde

O governo do Estado de São Paulo resolveu cortar 12% nas verbas para entidades filantrópicas, autarquias, fundações e instituições de saúde universitárias – em ações não relacionadas à Covid-19.

Serão R$ 80 milhões a menos em 180 unidades hospitalares que atendem mais de 70% dos pacientes da Covid-19.

O argumento do governo é que a medida foi adotada pela “necessidade de ajuste orçamentário de custeio”, além da implementação de recursos na aquisição de insumos e contratações de emergência para o combate da pandemia da Covid-19. Na linguagem popular, podemos dizer que o governo cobre um santo tirando o cobertor do outro do mesmo ambiente.

Ainda segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a resolução leva em conta “a necessidade de manter a austeridade e rigor nos gastos, preservando a qualidade dos serviços públicos”.

A presidente do SEESP, enfermeira Solange Caetano diz que os cortes são contraditórios com a manutenção dos serviços com a mesma qualidade. “O governo só não explica como vai preservar a qualidade dos serviços cortando recursos. Como garantir a qualidade no serviço, que já estava prejudicado por falta de recursos, com esse corte de verbas? É o mesmo que tentar lavar a louça toda com uma gota de detergente”, afirma.

A Federação das Santas Casas e dos Hospitais Beneficentes de São Paulo (Fehosp) decidiu nesta quinta-feira entrar na Justiça contra a decisão do governo do estado de cortar 12% das verbas dessas instituições.

A verba total de R$ 81 milhões servia essencialmente para custear a compra de medicamentos, insumos hospitalares, pagar médicos, enfermeiros, recepcionistas e serviços de limpeza.

“Como que você vai preservar um atendimento cortando 12%? Tem Santa Casa que vai perder mais de R$ 1,2 milhão por mês. Elas já têm uma dificuldade financeira e ainda tem um corte desses? Fica muito difícil manter as portas abertas para atender a população”, disse Edson Rogatti, presidente da Fehosp, em entrevista ao G1.

As Santas Casas do Estado e os hospitais filantrópicos estão lotados durante a pandemia do coronavírus. Segundo a Fehosp a maioria está com mais de 90% de ocupação nas UTIs, e o corte afeta especialmente quem depende do sistema público de saúde.

Solange Caetano lembra, que a redução de recursos acontece no mesmo momento em que há um significativo aumento nos valores dos planos de saúde. “Com esse aumento a tendência é que muita gente deixe os planos de saúde e passe a procurar os serviços públicos de saúde. Isso vai ampliar ainda mais o gargalo em que já se encontram. Os hospitais estão trabalhando com número de Enfermeiros inferior ao necessário, com cargas horárias elevadas, causando um grande estresse e cansaço nos profissionais de saúde. Muitos adoeceram durante a pandemia e ainda convivem com as sequelas da doença.”

Todos esses fatores ampliam a crise da saúde pública e dificultam o atendimento à população. “O governo do Estado precisa rever esses cortes para garantir que a população não seja prejudicada nos atendimentos às consultas, realização de exames, oferta de medicamentos e tratamentos; bem como em todas as especialidades”, completa a presidente do SEESP.

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