Governo sem voto não pode acabar com o SUS

A população já rejeitou por quatro vezes nas últimas eleições presidenciais o projeto que defendeu o Estado Mínimo e menos direitos sociais

Nunca o projeto neoliberal ousou ir tão longe. Em um golpe parlamentar e judicial na maior democracia latino-americana, tomou o Poder surrupiando mais de 54 milhões de votos do povo brasileiro, que elegeu soberanamente a Presidenta Constitucional do Brasil, Dilma Vana Rousseff. Um governo que não foi sufragado pelas urnas, fonte primária da soberania popular, em menos de uma semana tenta desmontar os avanços sociais e civilizatórios da nossa sociedade conquistados por décadas de lutas de um povo que nunca negou o seu destino, construir uma grande nação.

O SUS – Sistema Único de Saúde é a maior política pública já implantada no Brasil. Sempre embalou mentes e corações de todas as colorações partidárias e nunca foi fruto da vontade de um ou de outro grupo político. Sem dúvida, só um governo ilegítimo sem a as benções da vontade popular poderia cometer um crime desta natureza.

A centralidade que o Constituinte de 1988 conferiu ao nosso sistema de saúde, o SUS,  no art. 196 da Carta Cidadã: “ saúde é um direito de todos e um dever do Estado”,  não pode ser maculada por vilões que tomam a Presidência da República, rasgando todo e qualquer pacto social, transformando em letra morta todo arcabouço jurídico brasileiro e mesmo os acordos internacionais cujos a República Federativa do Brasil é signatária, a exemplo do Pacto de San José da Costa Rica, que prevê que impeachment não pode ser apenas um processo político, onde a maioria formada circunstancialmente em nome da autoproteção de uma quadrilha já denunciada pela PGR – Procuradoria Geral da República puna sumariamente a Presidenta Constitucional de uma Nação, mulher de mãos limpas, contra a qual não recai nenhuma imputação criminal.

Vamos deixar explícito que o povo brasileiro vai entender em pouco tempo o que está acontecendo, pois este já rejeitou por quatro vezes nas últimas eleições presidenciais o projeto que defendeu o Estado Mínimo e menos direitos sociais. Só a “República dos Sem Votos” poderia ter esta audácia de propor o fim do SUS e a privatização das universidades públicas, mas certamente não vencerão, pois vamos resistir até as últimas consequências, em nome de tantos heróis conhecidos e anônimos que perderam a vida para que pudéssemos viver no regime democrático.

Não vencerão, pois o povo brasileiro já reage nas ruas contra os desmandos de um governo ilegítimo composto pelo o que de pior existe na política brasileira.

Viva a democracia. Todos e todas na luta em defesa do nosso Sistema Único de Saúde – SUS.

Sandro Alex de Oliveira Cezar é presidente da CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social