Impacto da pandemia na saúde dos trabalhadores e trabalhadoras foi destaque em reunião do CNS

 Impacto da pandemia na saúde dos trabalhadores e trabalhadoras foi destaque em reunião do CNS

Exaustão, esgotamento físico e emocional, adoecimento psicológico, falta de proteção e condições adequadas para o trabalho estão entre os impactos causados pela pandemia na saúde dos trabalhadores e trabalhadoras que estão na linha de frente do combate à Covid-19. O assunto foi destaque na 68ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS), nesta sexta-feira (21/05).     

A pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) intitulada “Condições de Trabalho dos trabalhadores da Saúde no contexto da Pandemia da Covid-19”, aponta que 84% das pessoas estão com 60 horas semanais de trabalho (sobrecarga) e o número de contratos informais nesse contexto também aumentou. Os participantes ainda relataram alterações significativas na vida cotidiana, como perturbação do sono, irritabilidade frequente, incapacidade de relaxar, estresse, perda de satisfação na carreira ou na vida, tristeza e apatia.

“Só quem vive é que sabe o que estamos passando. Está morrendo gente numa proporção como nunca vimos. O Brasil está sendo um celeiro de mortes para o mundo e isso traz muitas consequências, físicas e mentais. Temos que dar o mínimo de proteção, reconhecimento devido e condições adequadas para que estas pessoas façam o seu trabalho”, afirma a conselheira nacional de saúde e coordenadora adjunta da Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho (Cirhrt) do CNS, Manuelle Mathias, que está na secretaria municipal de saúde de Juiz de Fora (MG).

Para a coordenadora da Unidade Técnica de Capacidades Humanas em Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) no Brasil, Mônica Padilla, convidada para o encontro, a tragédia ocasionada pelo novo coronavírus, no Brasil e no mundo, colocou em evidência o modelo de desenvolvimento que permite que a iniquidade cresça.

“Voltamos aos indicadores de pobreza de 10 anos atrás, um momento de empobrecimento da população muito forte. É preciso considerar o nível de saturação nos nossos serviços e a impossibilidade de atender não só os casos de Covid, mas também a serviços básicos que já tínhamos em andamento”, alerta.

“Temos sofrido bastante, sabemos que essa é uma doença que veio para ficar, não sabemos por quanto tempo e como vamos dominá-la. Mas temos um Sistema Único de Saúde extremamente forte e capaz. Não tenho dúvidas que sairemos vitoriosos dessa luta imensa, mundial, e de proporções sanitárias inimagináveis”, avalia a conselheira nacional de saúde Daniela Buosi, que também é diretora do Departamento de Saúde Ambiental, do Trabalhador e Vigilância das Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde.

Campanha do CNS pela proteção e valorização dos (as) trabalhadores (as)

Durante a reunião virtual, transmitida ao vivo pelo Youtube, o CNS apresentou a campanha Proteger o Trabalhador e a Trabalhadora é Proteger o Brasil, desenvolvida para valorização e proteção destes profissionais. O objetivo é dar visibilidade ao trabalho destas pessoas e apresentar à população os problemas vivenciados por eles no cotidiano.

Para isso, o CNS está recebendo vídeos, imagens, (fotografias e outras formas de registro artístico/sensível) e narrativas do cotidiano do trabalho produzidos por estes profissionais. Os materiais serão publicados nas redes sociais do CNS e irão compor uma mostra virtual do enfrentamento à pandemia.

“Muitos de nós, que estamos no Controle Social, estamos na linha de frente também, estamos na pesquisa, estamos na gestão e estamos ao lado da população num trabalho intenso. Tudo isso pode ser registrado para tornarmos conhecida a real situação real dos trabalhadores. Estamos juntos nessa grande agenda de resistência e enfrentamento da Covid”, afirma a conselheira nacional de saúde e coordenadora da Cirhrt, Francisca Valda.

“A gente entende a necessidade de olhar para todos os trabalhadores e trabalhadoras, não somente do segmento hospitalar mas todos e todas que garantem o cotidiano de vida das pessoas, como os motoristas de ônibus, quem está no trabalho informal, quem está nas periferias. São para todos que queremos políticas públicas, sem ataque de direitos. Essa é a nossa defesa”, afirma a conselheira nacional de saúde Priscilla Viégas, que integra a mesa diretora do CNS.

A ação do CNS integra a campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo Ano Internacional dos trabalhadores da Saúde e Assistência, celebrado em 2021.

Ascom CNS

Foto: Divulgação

Sindicato dos Enfermeiros

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