Mulheres negras ganham 57% menos que homens e 42% menos que mulheres brancas

 Mulheres negras ganham 57% menos que homens e 42% menos que mulheres brancas

Nesta segunda, 25 de julho, comemora-se o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. A data foi instituída em 1992, no 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, República Dominicana, para chamar atenção para as imensas dificuldades das mulheres negras nesta região do planeta e para a violência que as atinge severamente.

No Brasil, as mulheres negras ganham 57% menos do que um homem branco, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e 42% a menos do que as mulheres brancas, além de serem mais vulneráveis, como mostram todas as pesquisas sobre violência.

A escravidão mantém marcas profundas na sociedade brasileira, como o racismo e machismo, que se refletem nas difíceis condições para as mulheres negras, seja no mundo do trabalho, seja nas relações sociais.

O levantamento Protagonismo das mulheres nas empresas, feito pela consultoria marketing digital Triwi revela que, entre as 21.435 empresas pesquisadas no Brasil, 25,1% não possuem nenhuma mulher negra em todo o seu quadro de funcionários.

Quase metade das empresas (45%) conta com apenas 10% do quadro de funcionários composto por mulheres negras. A inclusão de mulheres com deficiência física é outro gargalo nas contratações, já que a maioria das empresas pesquisadas (68%) não tem funcionárias PCD, informa o jornal Valor Econômico.

O levantamento mostrou que 27% das mulheres ocupavam mais de 50% dos cargos nas empresas, em 2020. E, em 2022, esse número caiu para 18%. Em 5% das empresas pesquisadas, não havia nenhuma mulher contratada, informa o levantamento.

“Mesmo com o avanço de mulheres alcançando cargos executivos e de liderança nas empresas, nos últimos anos percebemos uma queda no número de mulheres que são mães ocupando esses cargos nas empresas”, afirma Sabrina Benatti, gerente de marketing da Triwi.

Esses dados mostram também que o mercado de trabalho marginaliza as mães, ainda mais as mães negras.

No Brasil, o perfil da equipe de enfermagem é constituído por maioria de mulheres negras, 53,3%. Contudo, essas mulheres seguem invisibilizadas, desvalorizadas e estagnadas no nível médio da pirâmide ocupacional da área. É preciso reconhecer as histórias da contribuição das mulheres negras para a saúde do país, dar-lhes a visibilidade compatível com a importância dos seus atos e assegurar-lhes a mobilidade a que tem direito. É o que diz a enfermeira Alva Helena de Almeida, mestre em Saúde Pública e doutora em Ciências, no artigo Mulheres Negras e a Realidade da Enfermagem Brasileira. 

A presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo, Elaine Leoni, diz que é preciso enfrentar essa situação, através de ações do movimento sindical. “Precisamos vencer essa barreira e construir um Brasil mais justo e sem preconceitos”, afirma.

E porque a representação feminina e da população negra no Congresso Nacional e nos cargos executivos é ínfima, é fundamental eleger mais negras e negros nas próximas eleições.

No dia da Mulher Negra e Latino-americana e Caribenha ocorrem marcha de mulheres negras por todo o país. Neste ano com o tema Mulheres negras no poder construindo o bem viver. 

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