O mês de março simboliza a luta histórica das mulheres, marcada pelo 8 de março – Dia Internacional da Mulher, oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, a partir de mobilizações por direitos trabalhistas, políticos e igualdade.
Apesar dos avanços legais no Brasil, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a violência de gênero permanece alarmante. Em 2025, o país registrou mais de 1.500 feminicídios, evidenciando que a proteção à vida e à dignidade das mulheres ainda é um desafio estrutural.
Esse cenário se conecta diretamente à baixa representação feminina nos espaços de poder. Embora as mulheres sejam maioria do eleitorado, ocupam cerca de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e menos de 20% no Senado Federal. O Brasil aparece apenas na 133ª posição no ranking global de participação parlamentar feminina. Sem mulheres nos espaços de decisão, políticas de proteção e equidade avançam mais lentamente.
Trabalho, jornada e sobrecarga
Neste 8 de Março, ganha força a luta pelo fim da escala 6×1. A jornada exaustiva impacta especialmente as mulheres, que acumulam dupla ou tripla jornada. Enquanto homens dedicam, em média, 11,7 horas semanais ao trabalho doméstico, mulheres dedicam 21,3 horas — índice ainda maior entre mulheres pretas e pardas.
Reduzir a jornada sem redução salarial é medida de justiça social. Significa garantir tempo para descanso, estudo, participação política e convivência familiar — direitos historicamente negados às mulheres.
Democracia, soberania e proteção social
Quando a democracia é fragilizada, os impactos recaem com maior intensidade sobre quem já vive em situação de vulnerabilidade. As mulheres dependem mais dos serviços públicos e concentram maior responsabilidade pelo cuidado de crianças, idosos e familiares. Cortes em políticas sociais ampliam sua sobrecarga física, mental e econômica.
Além disso, estão mais presentes em vínculos precarizados e informais, sendo as primeiras a sofrer perdas de renda em momentos de crise. Contextos autoritários também enfraquecem políticas de enfrentamento à violência e ampliam o controle sobre seus direitos.
Cuidado é responsabilidade coletiva
A superação das desigualdades passa pela corresponsabilidade no trabalho de cuidados. O cuidado não pode ser atribuído quase exclusivamente às mulheres. É necessário envolver família, sociedade e Estado, fortalecendo políticas estruturantes, como a Política Nacional de Cuidados e a implementação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece medidas para eliminar violência e assédio no mundo do trabalho.
O compromisso do SEESP
A Enfermagem, composta majoritariamente por mulheres, vivência de forma direta essa realidade: está exposta à violência de gênero, à sobrecarga e ao assédio no ambiente laboral. As Enfermeiras/os também atuam na linha de frente do acolhimento às vítimas, o que exige suporte institucional e proteção efetiva.
Combater a violência é uma responsabilidade coletiva. Romper o silêncio é fundamental para transformar realidades. O SEESP está ao lado da categoria, fortalecendo redes de apoio e lutando para que nenhuma Enfermeira/o enfrente situações de violência ou assédio sozinha/o. Denunciar é um ato de coragem — e também de proteção à própria saúde e à qualidade da assistência prestada à população.