O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (SEESP) acompanha as repercussões do episódio ocorrido durante o atendimento de uma paciente idosa em ambiente hospitalar, envolvendo uma enfermeira e um acompanhante. O caso reforça uma questão que ultrapassa a situação concreta: profissionais de enfermagem não podem ser responsabilizados individualmente por problemas relacionados à estrutura, à organização ou às condições de funcionamento dos serviços de saúde.
Enfermeiras e enfermeiros estão na linha de frente do cuidado, próximos de pacientes e familiares em situações de dor, medo, emergência e pressão emocional. Por isso, muitas vezes acabam sendo alvo de insatisfações relacionadas a questões que não estão sob sua governabilidade.
Falta de profissionais, sobrecarga, dimensionamento inadequado, ausência de recursos, falhas de fluxos e demora em procedimentos são problemas de gestão e não podem ser automaticamente transformados em responsabilidade pessoal de quem está prestando assistência. Isso não afasta a responsabilidade individual diante de uma conduta inadequada, mas exige que cada situação seja apurada de forma objetiva e individualizada, considerando as condições em que o trabalho foi realizado.
Também é necessário falar sobre a saúde dos profissionais. Jornadas extenuantes, pressão constante, déficit de pessoal, contato com sofrimento e episódios de hostilidade e violência fazem parte da realidade da categoria. Exaustão, sofrimento psíquico e burnout devem ser tratados como questões de saúde e condições de trabalho, e não como fragilidade individual.
O SEESP defende medidas concretas para proteger os trabalhadores, como dimensionamento adequado, condições dignas de trabalho, protocolos para situações de conflito, prevenção e enfrentamento da violência e suporte aos profissionais submetidos a situações de elevado estresse.
Reclamações de pacientes e familiares são legítimas e devem ser apuradas. O que não pode ser naturalizado é que a insatisfação se transforme em ameaça, humilhação, constrangimento ou violência contra quem está trabalhando.
O Sindicato oferece apoio e orientação jurídica aos enfermeiros que enfrentam violência, ameaças ou constrangimentos no exercício profissional, inclusive quanto ao registro da ocorrência e à emissão da CAT, quando cabível.
O SEESP também reconhece a condição de especial vulnerabilidade da pessoa idosa internada, que merece cuidado, respeito, segurança e assistência adequada. Relatos sobre a qualidade da assistência devem ser apurados pelas instâncias competentes, com seriedade e respeito a todos os envolvidos.
Defender a enfermagem também significa defender condições adequadas para que o cuidado seja prestado com segurança, ética e dignidade.