A Enfermagem como Ato Político: Da Resistência à Nossa Responsabilidade Coletiva

09/03/2026

A trajetória da enfermagem brasileira é marcada por um paradoxo persistente: somos o pilar de sustentação da saúde, mas frequentemente nos vemos à margem das decisões que moldam o nosso futuro. Como Diretor do SEESP, convido a categoria a refletir sobre nossa identidade não apenas como técnicos, mas como agentes políticos, inspirando-nos em nossa própria história para assumir uma responsabilidade coletiva inadiável.

Lições do Passado: A Política no Cuidado

A história nos ensina que cuidado e política são indissociáveis. O exemplo de Pio Damião, pioneiro na assistência em Guaxupé no início do século XX, é emblemático. Damião não apenas prestava cuidados diretos; foi também articulador social, fundador da Frente Negra Brasileira em sua região e um líder que compreendia que a saúde do povo também se constrói com organização política.

Mesmo diante de perseguições e exclusões, manteve sua atuação assistencial como forma de resistência. Se, no passado, figuras como ele abriram caminhos com coragem individual, hoje nossa força reside na capacidade de organização coletiva por meio de entidades representativas como o Sindicato.

O Labirinto da Identidade e a Precarização

Atualmente, enfrentamos o desafio da “desidentificação” profissional. A precarização do trabalho, os baixos salários e a sobrecarga burocrática tentam reduzir o enfermeiro a uma peça funcional do sistema, esvaziando o sentido ético-político da profissão.

A responsabilidade pessoal implica independência intelectual. Não podemos permitir que a exaustão nos conduza à apatia. Ser responsável pela própria carreira significa compreender que as condições de trabalho são resultado direto da nossa capacidade de mobilização e pressão política.

Da Participação Simbólica ao Protagonismo Real

Ainda vivemos, em parte, sob uma lógica de participação imposta — aquela que se limita ao pagamento de contribuições obrigatórias aos conselhos fiscalizatórios do exercício profissional. Contudo, a transformação que almejamos somente virá por meio da participação voluntária e consciente.

Participar do SEESP significa tomar parte ativamente. Precisamos evoluir na escala da participação:

  1. Superar a desinformação: conhecer nossos direitos e a realidade do setor.
  2. Alcançar a co-gestão: estabelecer diálogo efetivo entre sindicato e base, em relação horizontal.
  3. Construir a autogestão: permitir que a categoria defina coletivamente suas pautas e lutas inegociáveis.

Um Chamado à Práxis e à União

A história de resistência de nomes como Pio Damião demonstra que a enfermagem é, em sua essência, um ato de coragem social. No SEESP, buscamos consolidar uma democracia participativa que rompa com o isolamento do profissional, especialmente no setor privado, onde o receio da insegurança laboral muitas vezes silencia vozes potentes.

Só se aprende a participar, participando. O Sindicato não é uma entidade abstrata; é o somatório das nossas vontades e ações. Convido cada colega a transformar indignação em mobilização concreta. Vamos honrar o legado daqueles que nos antecederam e construir o respeito que as futuras gerações de enfermeiros merecem.

Acompanhe e construa o SEESP conosco:
• Site Oficial: seesp.com.br
• Instagram: @enfermeirossp
• Facebook: seesponline

A enfermagem é a maior força da saúde. É tempo de transformar essa força em poder político real.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Receba as notícias do SEESP!

Inscreva-se na newsletter para continuar lendo. É grátis!

Aceito receber e-mails e concordo com a política de privacidade e os Termos de Uso.