Integração no SUS e desafios no combate ao AVC marcam debate no Conselho Municipal de Saúde

19/05/2026

Nesta terça-feira, 19 de maio, a Comissão de Contrato de Gestão do Conselho Municipal de Saúde reuniu-se para debater a integração entre a Atenção Primária e a Atenção Secundária no manejo do Acidente Vascular Cerebral (AVC). O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (SEESP) esteve presente por meio de sua diretora, Ana Firmino.

O cenário é alarmante: em 2025, o Brasil registrou mais de 80 mil óbitos decorrentes de AVC, consolidando a doença como uma das principais causas de mortalidade e incapacidade no país. No âmbito municipal, a rede conta atualmente com 1.742 Equipes de Saúde da Família (eSF). Apesar dessa ampla capilaridade, persiste um questionamento central dirigido ao governo: a concentração excessiva de recursos e esforços nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), em detrimento do fortalecimento da Atenção Primária, onde a prevenção e o controle dos fatores de risco poderiam evitar a ocorrência de eventos agudos.

A análise apresentada na Plenária de Diretrizes para Prevenção e Tratamento do AVC evidenciou que o modelo atual — fortemente centrado nas UPAs e na terceirização da gestão — ainda apresenta fragilidades históricas na organização do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora tenham ocorrido avanços tecnológicos, muitas UPAs continuam sem equipamentos essenciais, como o tomógrafo. A ausência desse exame impede a diferenciação, em tempo oportuno, entre AVC isquêmico e hemorrágico, atrasando intervenções terapêuticas urgentes, como a trombólise, e comprometendo o prognóstico dos pacientes devido à demora no encaminhamento para unidades hospitalares de referência.

A prevenção do AVC passa, necessariamente, pelo controle rigoroso da hipertensão arterial. No entanto, o modelo de terceirização tem sido alvo de críticas em razão da fragilidade dos vínculos de trabalho e da ausência de políticas estruturadas de Educação Permanente, o que impacta diretamente a qualidade da assistência.

Como estratégia para reverter esse cenário e garantir a integralidade do cuidado, propõe-se a implementação de uma Plataforma Digital Cooperativa. Essa ferramenta atuaria como um eixo estruturante de Educação Permanente, promovendo a capacitação técnica das equipes de Atenção Primária por meio da troca de conhecimentos com especialistas, além de otimizar os fluxos de referência e contrarreferência entre unidades básicas, serviços de urgência e hospitais.

Investir na Atenção Primária é salvar vidas antes que a urgência aconteça.

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