Falar sobre etarismo no mercado de trabalho exige olhar para uma realidade que muitas vezes fica escondida atrás de discursos sobre produtividade.
A discriminação aparece quando a idade passa a ser usada para questionar a capacidade de aprender, acompanhar novas ferramentas, ou até de aceitar ordens de gestores mais jovens.
Essa lógica se encaixa em um mercado que busca reduzir custos e aumentar a produtividade. Trabalhadoras e trabalhadores com anos de experiência também acumulam direitos, salários compatíveis com suas trajetórias e conhecimento sobre a própria profissão.
Para algumas empresas, substituir esses profissionais por alguém mais jovem e com remuneração menor parece mais conveniente do que reconhecer e valorizar aquilo que foi construído ao longo de anos. O discurso sobre “adaptação” ou “renovação” muitas vezes serve para mascarar essa escolha.
Essa realidade fica ainda mais dura quando acontece uma demissão. Para quem passou dos 50 anos, a recolocação pode significar meses ou até anos de procura.
Não se trata apenas de encontrar outra vaga, mas de conseguir voltar ao mercado sem abrir mão da remuneração e dos direitos que levou décadas para conquistar.
Por isso, são necessárias políticas públicas que combatam a discriminação etária, ampliem a fiscalização e contribuam para a permanência desses profissionais no mercado de trabalho.
A experiência de uma trabalhadora não pode ser valorizada somente enquanto resolve problemas e descartada quando chega a hora de reconhecer seus direitos.
Quem passou décadas trabalhando não pode ser tratada (o) como mão de obra ultrapassada.
Essa é uma discussão que precisa estar presente nos espaços de decisões e dentro das empresas, porque deixar essa responsabilidade apenas sobre a (o) trabalhador é aceitar que o preconceito continue sendo usado como ferramenta de gestão.
A idade não pode ser transformada em critério para decidir quem merece uma oportunidade, uma promoção ou o direito de continuar trabalhando.