No início de setembro, o presidente Lula sancionou a Lei 15.494/2026, que amplia para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) o atendimento às urgências cardiovasculares com a utilização de medicamentos trombolíticos, que auxiliam a dissolver coágulos que estão obstruindo o fluxo de sangue em artérias ou veias.
Essa é uma medida muito importante, principalmente porque, diante de um infarto ou de um AVC, o tempo entre os primeiros sinais e o início do tratamento pode fazer uma diferença enorme. Para uma grande parcela da população, isso representa uma mudança concreta no acesso ao cuidado.
Mas ampliar o atendimento também significa mudar a rotina de quem trabalha nessas unidades. Essa mudança chegará para profissionais que precisam reconhecer rapidamente situações graves, administrar medicamentos, acompanhar pacientes e identificar quaisquer alterações. Com isso, precisamos falar sobre uma questão que muitas vezes fica em segundo plano: quem vai colocar essa política em prática.
Quando as responsabilidades aumentam, não é ideal que a equipe simplesmente absorva novas demandas dentro da mesma estrutura. É preciso garantir capacitação, número adequado de profissionais e equipamentos e condições para que o atendimento seja realizado com eficácia, sem transformar uma nova responsabilidade em mais uma sobrecarga.
Vejo essa sanção como um avanço porque aproxima um atendimento especializado de quem precisa dele e pode reduzir o tempo de resposta em situações que não permitem esperar. Mas também vejo como uma oportunidade para discutir que não basta apenas levar um novo atendimento para mais perto da população, é necessário assegurar que existam trabalhadoras e trabalhadores preparados e valorizados para oferecer esse cuidado.
Afinal, se mais responsabilidade são atribuídas, é justo que elas venham acompanhadas de reconhecimento e direitos compatíveis com o trabalho que será realizado.