O Senado instalou a CPI da Covid para investigar a atuação do governo federal durante pandemia. Antes mesmo da instalação e no intuito de se defender, a Casa Civil da Presidência da República elaborou uma lista com 23 possíveis questões para serem respondidas.
Distribuída para as diversas áreas governamentais buscarem respostas convincentes, a lista veio a público e surpreendeu pela sinceridade. É muito mais do que uma lista. É a confissão dos crimes cometidos contra a saúde da população brasileira.
Os pontos levantados pela Casa Civil demonstram que o governo tem plena consciência do que fez, não se tratando, portanto, de erros cometidos; demonstra que é uma política deliberada e que, ainda mais por isso, precisa ser julgado com seriedade e que pague pelos seus crimes.
Conheça a lista. Todos os pontos se referem às medidas adotadas ou não pelo governo.
1 – Foi negligente com o processo de aquisição e desacreditou a eficácia da CoronaVac (que atualmente se encontra no Plano Nacional de Imunização);
2 – Minimizou a gravidade da pandemia (negacionismo);
3 – Não incentivou a adoção de medidas restritivas;
4 – Promoveu tratamento precoce sem evidências científicas comprovadas;
5 – Retardou e negligenciou o enfretamento à crise no Amazonas;
6 – Não promoveu campanhas de prevenção à Covid;
7 – Não coordenou o enfrentamento à pandemia em âmbito nacional;
8 – Entregou a gestão do Ministério da Saúde, durante a crise, a gestores não especializados (militarização do Ministério);
9 – Demorou a pagar o auxílio-emergencial;
10 – Ineficácia do Pronampe;
11 – Politizou a pandemia;
12 – Falhou na implementação da testagem (deixou vencer os testes);
13 – Faltaram insumos diversos (kit intubação);
14 – Atraso no repasse de recursos para os Estados destinados à habilitação de leitos de UTI;
15 – Genocídio de indígenas;
16 – Atrasou a instalação do Comitê de Combate à Covid;
17 – Não foi transparente e nem elaborou um Plano de Comunicação de enfrentamento à Covid;
18 – Não cumpriu as auditorias do TCU durante a pandemia;
19 – Brasil se tornou o epicentro da pandemia e “covidário” de novas cepas pela inação do Governo
20 – Os generais Eduardo Pazuello e Braga Netto, e diversos militares não apresentaram diretrizes estratégicas para o combate à Covid;
21 – O presidente Bolsonaro pressionou os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich para obrigá-los a defender o uso da hidroxicloroquina;
22 – Recusou 70 milhões de doses da vacina da Pfizer;
23 – Fabricou e disseminou fake news sobre a pandemia por intermédio de seu gabinete do ódio.
A consequência dessas ações ou inações é a morte de quase 400 mil brasileiros, a destruição da economia, pois não pode haver economia forte com milhares de mortes diárias por uma pandemia, milhões de pessoas sem perspectiva e tendo que lidar com a morte que destrói milhares de famílias.
Essa semana vazou o áudio do chefe da Casa Civil, general Ramos, dizendo que tomou a vacina escondido para não contrariar o capitão que ocupa a presidência. Esse áudio é mais um elemento a comprovar o descaso e a política genocida de Bolsonaro.
Depois disso tudo é preciso acrescentar mais? A lista é uma poderosa peça de acusação que será julgado pelos senadores e pelo povo brasileiro. (por Solange Caetano, secretaria geral do SEESP)