O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo participou nesta segunda, 24, de um ato em defesa da saúde e denunciando os cortes no orçamento destinado à área para viabilizar o pagamento do orçamento secreto que destinou bilhões aos parlamentares da base governista para tentar a reeleição de Jair Bolsonaro. Diversas entidades da área da saúde estiveram representadas.
O orçamento proposto para 2023 para o Ministério da Saúde nos diversos programas e serviços essenciais vem com uma redução de R$ 3,3 bilhões de reais.
A diretora do SEESP, Ana Firmino denunciou o desmonte que o governo federal faz do Sistema Único de Saúde. “Nós temos um dos melhores sistemas públicos de saúde do mundo, foi quem garantiu vacinas na pandemia. Mas muitos de nós, profissionais de saúde, perderam a vida, muitas pessoas que estão passando aqui na praça, perderam parentes, filhos, mães, e hoje muitos estão órfãos de seus entes queridos por negligencia desse governo”, denunciou.
Ana foi além das vacinas, disse que “o orçamento secreto desvia dinheiro da saúde; hoje o que nós vivenciamos são filas e mais filas no atendimento da atenção básica. Quantas pessoas não estão em listas, aguardando cirurgias eletivas? Quantos não estão passando pelo sofrimento mental? Depois da pandemia, temos a população que precisa de acolhimento e assistência”.
A diretora do SEESP também denunciou o descaso com a população de rua. “Hoje temos mães que estão na rua com suas crianças, famílias inteiras ao relento e não tem nenhuma política pública em nível federal para dar dignidade a essas pessoas”.
Os cortes no Ministério da Saúde afetam principalmente os seguintes itens:
Programa Farmácia Popular: O programa prevê o acesso a medicamentos para brasileiros e brasileiras portadores de diabetes, hipertensão arterial e asma, além de fralda geriátrica. Se já tem sido difícil conseguir os medicamentos necessários, a situação ficará ainda pior com a redução de 59% nos recursos destinados a essa finalidade. Serão R$ 1,2 bilhão a menos do que em 2022.
Atendimento à População para Prevenção, Controle e Tratamento de HIV/AIDS e outas Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST): Bolsonaro já deu declarações abomináveis sobre esse segmento populacional, insinuando falsamente que pessoas que se vacinam teriam maior risco de contrair HIV. O serviço perderá R$ 407 milhões, uma redução de 17,4%.
Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde Indígena: A população indígena sofreu duramente os efeitos da Covid-19, com níveis de contaminação e letalidade acima da média do país, dada a política ativa de disseminação do vírus pelo Governo Federal. O programa terá uma redução de 60% em seu orçamento, serão R$ 910 milhões a menos. A Atenção à Saúde das Populações Ribeirinhas e de Áreas Remotas da Região Amazônicas terá R$ 10 milhões de seu orçamento cortado.
A condução desastrosa do Governo Bolsonaro durante a pandemia foi desastrosa. Uma política de disseminação ativa do vírus e de descaso frente às vítimas, seus familiares, trabalhadores da saúde e todo o povo brasileiro. Esse cenário poderia ter sido ainda pior se não existisse o SUS. Esses novos cortes evidenciam que o plano bolsonarista é seguir com o desmonte e a destruição do Sistema Único de Saúde.