Mais uma vez, a vida da população trans é colocada em debate como se fosse um tema “polêmico”, e não uma questão de humanidade. A Resolução nº 2.427/2025 do Conselho Federal de Medicina, que restringe o acesso a terapias hormonais e cirurgias de afirmação de gênero, voltou a produzir efeitos por força de decisão liminar do Supremo Tribunal Federal, proferida na Reclamação Constitucional nº 84.653, um retrocesso que fere profundamente o direito à saúde, à autonomia e à dignidade.
Como Enfermeira, sei o que significa estar ao lado de quem busca cuidado, acolhimento e respeito. Sei o quanto a continuidade do tratamento hormonal e do acompanhamento profissional representa, que não apenas equilíbrio físico, mas a possibilidade de existir com menos dor psicológica.
Quando o Estado, por meio de uma resolução, tenta controlar o que cada pessoa pode ou não fazer com o próprio corpo, ultrapassa o limite da ética. A enfermagem, por essência, acolhe. Nosso trabalho é ouvir, cuidar e proteger. É estar ao lado de quem mais precisa, sem discriminar ou julgar.
Que o Supremo Tribunal Federal e as entidades de saúde saibam ouvir as vozes que estão sendo silenciadas. E que, como profissionais da categoria e como seres humanos, sigamos defendendo o que sempre deve ser inegociável: a vida em todas as suas formas e identidades.
Eu, Elaine Leoni, como presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (SEESP), Diretora da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE) e Coordenadora do Comitê LGBTQIA+ da Internacional de Serviços Públicos (ISP) Brasil, afirmo que este, não é um tema apenas da comunidade trans, mas de todos, porque quando um grupo tem seus direitos negados, toda a sociedade se torna mais frágil, mais injusta e menos humana.
Seguiremos lutando em defesa da vida, da dignidade e da igualdade. Juntos somos mais fortes!