Um novo avanço no cuidado e tratamento do Alzheimer

16/01/2026

Recentemente, a Anvisa aprovou a comercialização do medicamento Leqembi, um tratamento inédito que representa um marco importante no enfrentamento ao Alzheimer no Brasil.

Essa medicação é administrada por infusão e recomendada para pacientes nos estágios iniciais do Alzheimer. Auxilia a desacelerar a evolução da doença, atuando diretamente no Sistema Nervoso Central (SNC).

Ela reconhece e elimina a proteína beta-amiloide, uma substância pegajosa que se acumula no cérebro, formando placas que prejudicam a comunicação entre os neurônios, contribuindo para a perda de memória.

Ao interferir em uma das causas centrais da doença, o medicamento traz uma nova perspectiva no tratamento, com foco em atrasar o comprometimento cognitivo.

Apesar de não ser uma cura para o Alzheimer, o Leqembi permite que as pessoas diagnosticadas tenham melhor qualidade de vida, possibilitando que mantenham as atividades da vida diária por vários meses (ou anos) a mais do que seriam capazes de outra forma. Na prática, significa mais autonomia para os pacientes e preservação da memória por mais tempo.

Segundo o Ministério da Saúde, a doença afeta mais de 1,2 milhão de pessoas no Brasil e impacta não apenas quem recebe o diagnóstico, mas famílias inteiras, cuidadoras, cuidadores e profissionais da saúde, entre eles as Enfermeiras e Enfermeiros, que estão na linha de frente do cuidado contínuo.

Apesar de representar um avanço significativo, ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Por ser novo e de alto custo, sua incorporação exige avaliações econômicas e técnicas da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC), o que ajuda a explicar sua ausência inicial.

Ainda assim, é fundamental que o tema siga em debate para que no futuro a possibilidade de inclusão no SUS seja analisada considerando não apenas o impacto financeiro, mas também os benefícios para os pacientes e para a sociedade.

Avançar no tratamento do Alzheimer exige investimento em pesquisa e fortalecimento da rede de saúde pública. Aprovar o medicamento é importante, garantir acesso a ele é indispensável!

 

  • Solange Caetano, secretária-geral do SEESP, presidente da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), presidente da Federação de Saúde Interamericana da Internacional de Serviços Públicos (ISP) e coordenadora do Fórum Nacional da Enfermagem.

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