Ciência brasileira avança e abre novos caminhos para o tratamento da lesão medular

04/02/2026

O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (SEESP) celebra o avanço científico histórico desenvolvido no Brasil, que representa uma nova esperança para pessoas com lesões graves na medula espinhal.

A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenou o desenvolvimento da polilaminina, uma proteína experimental capaz de estimular a reconexão de neurônios danificados.

Derivada da laminina, produzida naturalmente pelo organismo humano e fundamental durante a formação embrionária, na organização dos tecidos e no crescimento celular, a polilaminina vem sendo estudada no país há quase três décadas.

Segundo a pesquisadora, trata-se de uma proteína extremamente potente, com papel essencial no sistema nervoso, especialmente no crescimento dos axônios, estrutura do neurônio que é rompida em casos de lesão medular.

Os resultados iniciais são inéditos e animadores. Em aplicações experimentais, seis pessoas tetraplégicas voltaram a andar, enquanto outros pacientes apresentaram recuperação parcial de movimentos e sensibilidade. Embora a substância ainda esteja em fases iniciais de testes clínicos, os dados reforçam o enorme potencial dessa inovação científica nacional.

No início deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase 1 dos estudos clínicos, etapa voltada à avaliação da segurança do medicamento. Os testes envolverão pacientes com o tipo mais severo de lesão medular — a lesão medular completa, na região torácica — e a aplicação da substância deverá ocorrer em até 72 horas após o acidente, geralmente durante a cirurgia de emergência necessária nesses casos.

O estudo será conduzido em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, instituições que contam com equipes cirúrgicas especializadas. A fase de reabilitação terá o apoio da AACD, referência no atendimento a pessoas com mobilidade reduzida, permanente ou temporária.

A previsão é que essa primeira etapa seja concluída em cerca de um ano. Caso os resultados sejam positivos, o estudo avançará para a fase 2, destinada à avaliação da eficácia do tratamento, seguida por uma eventual fase 3, que reunirá análises ainda mais rigorosas de segurança e eficácia. Somente após a conclusão de todas essas etapas a Anvisa poderá avaliar a aprovação da polilaminina para uso amplo no sistema de saúde.

Atualmente, não existe tratamento capaz de recuperar plenamente os movimentos em casos de lesão medular completa, que podem resultar em paraplegia ou tetraplegia. Ainda assim, mesmo antes da aprovação oficial, alguns pacientes já tiveram acesso ao tratamento por meio de decisões judiciais e relatam resultados positivos.

Para a presidente do SEESP, Elaine Leoni: “Investir em pesquisas como essas é afirmar a soberania científica do Brasil, com a Anvisa garantindo segurança e credibilidade, e com as Enfermeiras/os transformando a ciência em cuidado e dignidade para a população.”

O SEESP reconhece e valoriza o trabalho dos profissionais envolvidos nesse avanço extraordinário e reforça a importância do investimento contínuo em pesquisa, inovação e saúde pública.

Celebramos essa conquista como um marco de esperança, dignidade e futuro para milhares de pessoas.

Juntos somos mais fortes!

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