No Brasil, o feminicídio continua sendo uma realidade alarmante. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o país registrou recorde de casos em 2025, com 1.568 vítimas — uma média de quatro mulheres assassinadas por dia apenas por serem mulheres.
Esses números evidenciam a urgência de investir em ações concretas de prevenção, proteção e acolhimento. A violência não se resume ao ato extremo do assassinato. Antes disso, muitas vítimas enfrentam agressões físicas, psicológicas, ameaças e diferentes formas de abuso.
Nós, Enfermeiras, somos profissionais que frequentemente acolhem vítimas em situações como essas, identificando sinais de violência durante os atendimentos. Além disso, não podemos falar sobre feminicídio sem olhar para a realidade da própria categoria. A Enfermagem é composta majoritariamente por mulheres, que convivem diariamente com jornadas exaustivas, desigualdades estruturais, assédio e diferentes formas de violência dentro e fora dos ambientes de trabalho.
É necessário ampliar campanhas educativas, garantir o cumprimento das medidas protetivas e fortalecer os serviços especializados, como a Casa da Mulher Brasileira, espaço que reúne delegacia, juizado, defensoria e suporte psicossocial em um só local; o Centro de Defesa e de Convivência da Mulher (CDCM), que oferece apoio psicológico, social e orientação jurídica; e o Centro de Referência e Apoio à Vítima (CRAVI), que presta atendimento gratuito a vítimas de tentativas de feminicídio e a seus familiares.
Também é fundamental ampliar a divulgação e o fortalecimento da Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180, serviço nacional gratuito, confidencial e disponível 24 horas por dia. O atendimento pode ser acessado por telefone ou WhatsApp, pelo número (61) 99656-5008.
Como diretora responsável pela Secretaria da Mulher Trabalhadora do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (SEESP), reafirmo que não podemos naturalizar números que crescem ano após ano, nem aceitar que tantas brasileiras continuem sendo silenciadas pela violência.
Precisamos de proteção, conscientização e compromisso coletivo para construir um país onde nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pelo machismo e pela intolerância.
Juntas somos mais fortes!