Com a campanha Setembro Amarelo, o mês é marcado por trazer para o centro das discussões a depressão e outros transtornos associados ao sofrimento emocional, mas existem situações menos óbvias que também merecem atenção.
O transtorno de personalidade narcisista, por exemplo, pode envolver uma necessidade intensa de ter reconhecimento, uma imagem exageradamente positiva de si e, ao mesmo tempo, uma autoestima bastante vulnerável.
Por trás da necessidade de parecer forte, superior ou independente, podem existir sentimentos de rejeição, abandono e inadequação. Experiências negativas na infância não explicam sozinhas o desenvolvimento do transtorno, mas podem participar de uma história marcada por dificuldades na formação da autoestima e dos vínculos afetivos.
Quando a pessoa depende muito da aprovação dos outros para sustentar a própria imagem, críticas ou rejeições podem ser vividas de maneira extremamente dolorosas. O problema é que esse sofrimento nem sempre aparece de forma evidente para quem está ao redor.
Isso ajuda a ampliar a maneira de como olhamos para o risco de suicídio. Não existe uma única causa e está relacionado a diferentes fatores, podendo aumentar em momentos de crise, perdas, conflitos e intenso sofrimento emocional. Por isso, perceber mudanças de comportamento e levar a sério sinais de sofrimento importa, mesmo quando a pessoa parece estar no controle de tudo.
Algumas pessoas pedem ajuda abertamente, outras tentam esconder a própria vulnerabilidade até de si mesmas. Espaços de escuta, sem julgamento e sem reduzir a pessoa a um diagnóstico, fazem a diferença.
Como trabalhadores da saúde, sabemos que o cuidar exige olhar para além do que aparece na superfície. O sofrimento psíquico pode assumir formas diferentes e, muitas vezes, chegar aos serviços de saúde antes mesmo de ser reconhecido como tal. Ampliar esse olhar também é uma forma de cuidar melhor de quem procura atendimento e de quem trabalha todos os dias cuidando dos outros.