Ser mãe exige presença, dedicação e responsabilidade. Conciliar a maternidade, o trabalho e as demandas de uma criança neurodivergente pode tornar a rotina ainda mais intensa, com impactos físicos e emocionais.
Muitas profissionais enfrentam plantões extensos, escalas rígidas, jornadas noturnas e pouca flexibilidade para acompanhar consultas, terapias, atividades escolares e outras demandas dos filhos. A mulher trabalhadora ainda carrega grande parte das responsabilidades de cuidado, mesmo quando também precisa garantir sua renda e sua trajetória profissional.
Crianças neurodivergentes apresentam diferentes formas de desenvolvimento e, em alguns casos, necessitam de atenção individualizada, acompanhamento contínuo e participação ativa da família. Na maioria das vezes, essa responsabilidade ainda recai de forma mais intensa sobre as mulheres, que acabam tendo de reorganizar sua vida profissional para atender às necessidades dos filhos.
Por isso, é necessário enxergar essas mães para além da função profissional. A enfermagem é uma profissão dedicada ao cuidado de vidas, mas também precisamos perguntar: quem ampara essas trabalhadoras quando elas precisam estar presentes na vida de seus filhos?
Esse debate precisa fazer parte das relações de trabalho. Flexibilidade de jornada, adequação de horários, possibilidade de acompanhar consultas e terapias e políticas voltadas às necessidades familiares podem contribuir significativamente para a vida dessas profissionais. Não se trata de privilégio, mas de reconhecer diferentes realidades e construir ambientes de trabalho mais humanos e acolhedores.
Essa discussão também se relaciona com medidas recentes voltadas à proteção das mulheres. O governo Lula assinou recentemente, em outubro, medida para viabilizar o afastamento remunerado de mulheres vítimas de violência doméstica, por até seis meses, quando houver determinação judicial. A medida está em andamento e precisa de regulamentação para sua aplicação.
Como mulher e dirigente sindical, acredito que defender as mães enfermeiras também é lutar por uma profissão mais justa e sensível às diferentes realidades de quem cuida. Precisamos avançar nas negociações coletivas e nas políticas que contemplem trabalhadoras com filhos neurodivergentes, garantindo respeito, acolhimento e melhores condições para conciliar maternidade e profissão.