Enfermagem e consciência política: o futuro do SUS também depende de nós!

26/10/2026

A Enfermagem não pode se limitar ao cuidado prestado diariamente nos serviços de saúde. Precisamos participar ativamente das decisões políticas que definem os rumos da saúde pública no Brasil.

Somos uma das principais forças de sustentação do Sistema Único de Saúde (SUS). Enfermeiros, técnicos e auxiliares estão presentes nos diferentes níveis de atenção, da Atenção Primária às unidades hospitalares de alta complexidade. Atuamos na prevenção de doenças, na vacinação, no acolhimento e na continuidade do cuidado, inclusive nas comunidades mais distantes e vulneráveis.

Nossa atuação é indispensável para garantir os princípios da universalidade, da integralidade e da equidade. Por isso, defender a Enfermagem é também defender o direito da população à saúde.

Mas há uma questão fundamental: quem cuida também precisa participar das decisões que determinam como, onde e em quais condições o cuidado será oferecido.

O financiamento da saúde, a contratação de profissionais, a valorização salarial, as condições de trabalho e a organização dos serviços são influenciados por decisões políticas. Não basta conhecer os problemas na prática assistencial; precisamos transformar essa experiência em participação cidadã, mobilização e capacidade de influenciar as políticas públicas.

Ao escolher nossos representantes, devemos ir além dos discursos e das promessas de campanha. É preciso examinar propostas, conhecer trajetórias, verificar compromissos e avaliar a viabilidade das medidas anunciadas.

Algumas perguntas são indispensáveis:

Financiamento do SUS: como garantir recursos públicos suficientes e sustentáveis para a saúde?

Valorização da Enfermagem: quais compromissos existem com o Piso Salarial, a remuneração digna, os planos de carreira e as condições de trabalho?

Dimensionamento das equipes: como enfrentar a sobrecarga e assegurar profissionais em número adequado?

Qualidade da assistência: quais medidas fortalecerão a Atenção Primária, a rede hospitalar, a prevenção e a segurança do paciente?

Formação profissional: como ampliar a educação permanente e assegurar formação de qualidade?

Gestão e participação social: quais mecanismos de transparência permitirão acompanhar os resultados e fiscalizar as decisões?

Não basta declarar apoio ao SUS ou elogiar a Enfermagem em período eleitoral. É necessário saber o que será feito, como será executado, quais recursos serão destinados e como os compromissos poderão ser cobrados. Também precisamos considerar as atribuições de cada cargo, pois vereadores, prefeitos, deputados e governadores possuem responsabilidades diferentes.

O histórico dos candidatos importa tanto quanto suas promessas. Como votaram em questões relacionadas à saúde? Que iniciativas defenderam? Como se posicionaram diante dos direitos dos trabalhadores? A coerência entre discurso e prática deve orientar nossas escolhas.

E a participação não termina com o voto. É preciso acompanhar os eleitos, fiscalizar os gastos públicos, participar dos conselhos de saúde, fortalecer as entidades representativas e ocupar os espaços democráticos.

A união entre enfermeiros, técnicos e auxiliares é essencial nesse processo. Uma categoria numerosa, organizada e consciente de sua força tem melhores condições de defender seus direitos e contribuir para a construção de um sistema de saúde mais justo e eficiente.

Não podemos ser protagonistas do cuidado e espectadores da política.

Nossa responsabilidade vai além dos locais de trabalho. Envolve a valorização profissional, a defesa de condições dignas de assistência e o compromisso com um SUS público, universal, integral, equitativo e de qualidade.

Enfermagem, é hora de participar! Informe-se, questione, debata, compare propostas, vote com consciência e cobre resultados. Não entregue suas escolhas à propaganda nem às promessas vazias.

O futuro da saúde pública não se constrói apenas dentro dos serviços de saúde, mas também nas decisões políticas e na mobilização coletiva.

Nossa experiência precisa se transformar em voz, nossa união em força e nossa consciência em ação.

O futuro do SUS também depende de nós!

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