Diante da mobilização dos profissionais e da ausência de avanços nas negociações conduzidas pelo Executivo municipal de São Bernardo do Campo, cujas propostas foram consideradas incompatíveis com as necessidades dos trabalhadores da FUABC, as entidades sindicais reuniram-se com a chefia de Recursos Humanos (RH) da Fundação do ABC para esclarecimentos e atualização das informações.
Embora a responsabilidade trabalhista seja da FUABC, o município assumiu a condução das negociações, apresentando inicialmente a proposta de pagamento dos valores retroativos em 36 parcelas. Posteriormente, o prefeito Marcelo Lima sinalizou a possibilidade de redução para até 28 parcelas e a atualização do vale-refeição para R$ 30,50.
Na reunião, as entidades sindicais expuseram à chefia do RH as principais dificuldades enfrentadas, destacando a precariedade das informações e a dificuldade de diálogo com as bases em um cenário de incertezas. Reforçaram, ainda, a necessidade de um canal efetivo de negociação direta com a FUABC, responsável pela assinatura dos acordos, sem prejuízo da manutenção do diálogo com o município.
As entidades sindicais manifestaram preocupação com as consequências de um acordo firmado nas condições propostas, tendo em vista que:
1. A proposta prevê a quitação dos reajustes não aplicados nos últimos cinco anos por meio de parcelas de caráter indenizatório, sem incorporação aos salários. Ou seja, não há reajuste salarial retroativo, limitando-se o pagamento à diferença acumulada.
2. Há insegurança quanto ao cumprimento da proposta, uma vez que depende de repasses do orçamento municipal, sem garantia integral e sujeitos, inclusive, à aprovação anual da Câmara de Vereadores.
Os sindicatos reafirmaram como princípios fundamentais a consideração das perdas salariais acumuladas desde 2017, a prioridade absoluta ao reajuste salarial e a construção de um processo de negociação efetivo e direto com a FUABC.
A diretora de Recursos Humanos comprometeu-se a encaminhar as demandas à nova diretoria da Fundação, inclusive ao novo presidente, a ser definido no processo de transição institucional. O encontro foi avaliado como produtivo e um primeiro passo de aproximação.
As entidades sindicais reiteraram a defesa do reajuste salarial aplicado sobre os salários atuais, deixando a negociação do passivo para momento posterior, ressaltando que, por envolver recursos públicos, o processo de negociação demanda tempo e não permite soluções imediatas.